HEAVY METAL Investidor: A Regra dos 4% de William Bengen funciona? (Parte 3)

sábado, 23 de novembro de 2019

A Regra dos 4% de William Bengen funciona? (Parte 3)

 Em 2006, William P. Bengen publicou mais uma artigo de revisão da "Regra dos 4%" (link: Baking a Withdrawal Plan 'Layer Cake' for Your Retirement Clients) e publicou também um livro pela Financial Planning Association (FPA), intitulado "Conserving Client Portfolios During Retirement".



 Lembro a vocês que as expressões SAFEMAX, Taxa Segura de Retirada (TSR), Safe Withdrawal Rate (SWR) e  "saque anual seguro", todas elas significam exatamente a mesma coisa.

 Um resumo do artigo de 2006 e de uma parte do livro citado:

- Novas simulações.
- Inclusão de novos investimentos no portfólio.
- Avaliou períodos de 20 a 40 anos e definiu 3 perfis de clientes (moderado, conservador e agressivo), com valores de SAFEMAX individualizados para cada caso, mesmo dentro de um grupo, de acordo com variáveis mostradas abaixo (gráficos).
- Mudanças no valor do SAFEMAX, para que assim fosse possível favorecer saques maiores ou no início ou tardiamente, durante a aposentadoria.
- Fez ajustes dinâmicos no SAFEMAX, em resposta as condições do mercado.
- Rebalanceamento do portfólio em intervalos de tempo diferentes.
- Inclusão de Smallcaps, o que permitira o SAFEMAX mais próximo de 5% do que dos 4%.
- Obviamente, maiores horizontes de aposentadoria escolhidos pelo cliente exigem menores SAFEMAX. Não podemos usar o mesmo valor de saque anual em um portfólio que esperamos que dure por 30 anos, para outro que supostamente deva durar 40 anos!



- No artigo de 2006, ele nos mostra um exemplo prático (imagem abaixo, "figure 1") de cliente que foi classificado como "moderado"com um horizonte de duração total de 30 anos (isto é, terá "zero" de dinheiro teoricamente, após os saques no prazo estipulado) para o patrimônio inicial, que aceita colocar 20% do portfólio em Smallcaps, aceita um risco de 6% de sair tudo errado e faz o rebalanceamento da carteira de 4 em 4 anos. O SAFEMAX estipulado foi de 5,1%.
     



- Para o cliente "conservador": com um horizonte de duração total de 40 anos e que após todos os saques no prazo estipulado ainda quer deixar o patrimônio inicial, que aceita colocar 20% do portfólio em Smallcaps, teoricamente sem risco de dar errado e faz o rebalanceamento da carteira todos os anos. O SAFEMAX estipulado foi de 4%.





- Para o cliente "agressivo"com um horizonte de duração total de 20 anos e que após todos os saques no prazo estipulado não quer deixar patrimônio, que aceita colocar 20% do portfólio em Smallcaps, com 20% de chance de erro e faz o rebalanceamento da carteira de 6 em 6 anos e ele ainda tem (neste caso hipotético) um assessor de investimentos, o qual pode conseguir um adicional de 2% ao ano em retorno nas ações do portfólio - obs: algo bem possível, fazendo venda coberta de opções por exemplo. SAFEMAX estipulado foi de 7,6%.




- Vejam que um incremento anual de 2%, todos os anos (..."uma hipótese, obviamente") subiu o SAFEMAX em 0,58%, para 5%. Neste gráfico abaixo, vemos em quanto aumenta o SAFEMAX de acordo com o percentual de valorização das ações do portfólio, acima da média histórica anual. Para 5% de valorização, teremos um SAFEMAX de 5,93%.



- Aqui, um detalhe importantíssimo e muito claro sobre os estudos de Bengen: mesmo dentro de um determinado perfil, o cálculo do SAFEMAX depende do risco que cada cliente quer assumir, ele não é fixo. Faz um alerta em sua conclusão final e aqui vejo por que tantos autores erram ao se referir ao trabalho dele:

"(...) Como sempre, devemos aconselhar aos nossos clientes que tal conhecimento (de dados passados) é tanto uma força, quanto uma fraqueza. Temos certeza do passado, mas só podemos especular com o futuro, que pode diferir consideravelmente do passado. Assim, os riscos de qualquer plano de retirada só podem ser aproximadamente avaliados. Qualquer tentativa de projetar um alto grau de precisão nestes cálculos, promete mais do que qualquer profissional pode razoavelmente esperar entregar aos seus clientes".




 Para quem acompanhou até aqui meus 3 posts sobre a Regra dos 4%, teve a oportunidade de ler os artigos originais de Bengen e já pode tirar uma conclusão inicial: quem o critica afirmando que o SAFEMAX é inútil, pois "é uma receita pronta, que não pode ser usada para todo mundo" (e isso é uma grande verdade!), provavelmente não leu os artigos do autor. Caso tenha lido, não entendeu as modificações que ocorreram ao longo dos anos, muito claras para mim até aqui.  

 Basta ler o texto em negrito logo acima, com a "conclusão final" do próprio autor, para que todas as tentativas de invalidar a teoria que aqui discutimos, baseando-se nos argumentos de que "resultados passados não garantem resultados futuros" e que "o SAFEMAX não é uma regra universal",  caiam por terra diante das próprias palavras de Bengen"Na Natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma" (Atoine Lavoisier)

 Evoluir é uma benção; ser transparente, mais ainda. No próximo post, começaremos a debater sobre a  aplicação e funcionalidade do SAFEMAXpor nossas próprias avaliações e conclusões - acho melhor do que dizer "Regra dos 4%", visto que a mesma não é fixa em 4%, como vimos acima no artigo de 2006.

  Se você ainda não leu, seguem os links para os posts números 1 e 2: 








8 comentários:

  1. Vem uma parte 4 aí? Os textos estão muito legais

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    1. EI, estão me dando um trabalho do cacete. Mas estou afiando meu vocabulário técnico de investimentos em inglês de graça, por outro lado. Vem o 4 e 5 com certeza, o 4 estará pronto talvez até Domingo. Que bom que está gostando dos textos, tentei fazer numa sequência lógica, começando com tudo que William Bengen escreveu, para depois tirarmos nossas próprias conclusões. Beber da fonte, para depois poder pensar, expor, organizar e concluir. Muita gente que critica, sequer leu todos os artigos dele e falam somente do artigo de 1994. Aí, fica fácil pra caramba!

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  2. Parabéns Heavy, deve estar dando muito trabalho mesmo, mas com certeza está valendo a pena! Estou que nem o Engenheiro Investidor, já aguardando os próximos capítulos rsrs. Yuka.

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    1. Olá, Yuka! “Onegai shimasu”!!! Post 4 está praticamente pronto, já estou montando o número 5. Depois, vou reler cada um. Também estou gostando do resultado até aqui, é uma boa sensação escrever de forma isenta e buscando ser fiel aos textos originais de Bengen - como também, buscando textos com críticas construtivas e embasadas. O "crossfire" é muito legal.

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  3. Venda coberta de opções? Com que se come isso?

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  4. Amigo, tenho um artigo de 2011 sobre o assunto:
    https://heavymetalinvestimentos.blogspot.com/search?q=venda+coberta+de

    Mas sugiro que pesquise mais na Internet e em livros.

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  5. Bom dia, mestre! Muito legal está série sobre o Safemax. Nunca vi algo parecido antes, com tanta riqueza de dados e fidelidade total ao que realmente foi escrito pelo William Bengen. Isso se chama “metodologia”, isso tira todas as dúvidas e chances de “achismo” quanto as idéias dele. Nem mais, nem menos: o justo.
    Acredito em muito no trabalho danado que isso deve estar dando a você, fazer bem feito é dessa maneira. Até aqui, para mim muita coisa já ficou clara. A primeira delas: a regra atual não é 4%, ela é individual e pode ser maior ou menor. Estou certo? Abraço! Aguardo os próximos posts ansiosamente.

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    1. Boa tarde, Anon.
      Fico feliz que esteja gostando dos posts. Você está certo, o trabalho inicial de 1994 foi atualizado e Bengen com suas próprias palavras alertou que o SAFEMAX não é uma regra fixa, mas sim variável de acordo com idade de aposentadoria, apetite por risco, deixar ou não patrimônio de herança, etc...
      O post 4 já está pronto e trás muita coisa legal.

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