quinta-feira, 20 de junho de 2019

Fernando Ulrich e os ciclos da economia / Por quê investir fora do seu país?

 Seja em inglês, seja em português, tenho lido e visto vídeos de gente séria, sobre o tema mercado financeiro nas últimas semanas alertando para a chegada da "pernada de queda" ou início do "ciclo de queda" na bolsa americana. A brasileira, por peculiaridades daqui, pode seguir descolada da bolsa americana e continuar em alta (pelo que li, comparando as duas bolsas). Mas... sempre tem o mas, pode cair junto! Quem tiver a bola de cristal, que jogue na Mega-sena. 

 Fernando Ulrich está fazendo um Workshop sobre os "Grandes Ciclos Econômicos" e a importância de entender e dominar os mesmos, para quem gosta e pretende investir melhor seu próprio dinheiro. Este vídeo abaixo foi a primeira aula, no dia 11/06/19:


 O próximo vídeo será no dia 24/06/19, as 20:00h se não me engano. Parece que ele acredita em Bull para o Brasil e Bear para os EUA. Escrevi um post semanas atrás onde alertei para a possibilidade de queda da Bovespa depois de toda esta alta, ontem o IBOV passou a barreira dos 100 mil pontos. Escrevi também que "posso estar completamente errado", e meu alerta é e era para quem acha que bolsa é só alta e alegria. Mercado abriu: pode subir, cair ou ficar no mesmo lugar. Mas fujam da ilusão da eterna bonança, da alta pra sempre, ela NÃO existe. 





 Link para se inscrever gratuitamente e assistir os 2 próximos vídeos: A IMPORTÂNCIA DE DOMINAR OS CICLOS ECONÔMICOS

 No blog "Four Pillar Freedom", que passei a seguir recentemente e acho espetacular (Link: Should You Invest Internationally?), o autor Zack posta tuítes recentes (22/04/19) de Meb Faber abordando e explicitando a importância do assunto "investir fora dos EUA" (não parece com nossas discussões sobre investir fora do Brasil???). 




 Meb Faber é fundador da Cambria Investments Management, tem um blog de investimentos famoso nos EUA e autor de vários livros sobre o assunto. Eis as imagens do que Faber postou no Twitter:

















































 Aos que falam inglês, texto fácil. Aos que não falam, aprendam! Em resumo, as ações americanas estão muito caras e as "estrangeiras" estão (muito) baratas comparadas com as americanas, principalmente nos países emergentes. O mercado americano hoje é o segundo mais caro do mundo em valuation (creio que a China seja o primeiro). Além disso, está provado com gráficos o elevado risco financeiro de investir somente em um país. Cita exemplos de China, Alemanha e Rússia, onde dependendo do período o investidor iria falir, literalmente, por ter investido somente em seu país natal. Isso se chama "viés do país natal": seu investimento todo (meu caso, exceto pelo FMM Pimco Income) está concentrado no país onde mora / governo / políticos / mercado /demais riscos locais.

 Explica ainda, também com gráficos, o porquê devemos investir em fundos de índice ou ETFs ao invés de tentar o "stock picking" (que é foda de fazer para 99,9% dos mortais). Num exemplo gritante, investindo nas 10 maiores ações do S&P500 a partir de 1970 até atualmente (incluindo Walmart, Google, Microsoft e IBM!) e comparando com o próprio índice S&P500 (reinvestindo os dividendos): 


  Para quem leu o gráfico, viu que a diferença de quem investiu no índice S&P500 (com centenas de empresas) recebeu uma alta de 9.971,81% em seus investimentos (reinvestindo dividendos, importante lembrar disso), contra apenas 1.027,86% de quem investiu nas 10 maiores do S&P500. Sugiro que leiam o tema de melhor maneira e com melhor visual no link que postei acima, no Blog "Four Pillar Freedom".

 Minhas atuais conclusões (minhas e de mais ninguém), antes de assistir o vídeo do dia 24/06 do Ulrich e pelo que li e vi até o presente momento:

- Tenho sim que investir fora do Brasil, isso é um fato. Seja diretamente em outro país ou via IVVB11, por exemplo. Mas acho prudente agora tentar esperar o quem vem por aí nos próximos meses para não comprar "topo histórico"...


- Tenho que ter um ETF brasileiro, pelo visto PIBB11 ou BOVA11, vou ver os gráficos históricos dos ETFs que temos atualmente. Tem SMAL11 também. 

- Talvez não seja a hora de investir nos EUA, diante do valuation caríssimo atual. Deve vir correção pesada por lá.

- Ciclos da economia existem, valuation existe, dividendos existem, P/L esticado existe e importa também, preço importa SIM. Temos que tentar nos adequar a eles.

- Diversificação de carteira é FUNDAMENTAL, inclusive diversificando por tipos de ativos, por país ou países como ao comprar ETF ou Mutual Fund da Vanguard, que tem ações de vários países.

- Cada vez mais vejo que John "Jack" Bogle tinha e tem razão na maneira como via e fazia seus investimentos e de seus clientes. Taxa de administração barata (0,19% de média, contra 1,08% da concorrência), sua empresa Vanguard tem hoje mais de 5,1 trilhão de dólares sob custódia. Para quem não se preocupa com taxas e tarifas cobradas por corretoras ou fundos de investimento ou previdência privada, acham que 1 ou 2% "é pouco", leiam isso:



 "Se você tivesse investido 100.000,00 dólares com 6% de juros por 25 anos e sem pagar taxas, eles se tornariam 430.000,00 dólares. Se você tivesse pago os mesmos 2% de taxa neste mesmo cenário, seus 100.000,00 dólares se tornariam meros 260.000,00 dólares. Aquele aparentemente desimportante (pequeno) 2% destruiram quase 40% da sua poupança para a aposentadoria!".

 E segue a última imagem do post, com o portfólio mais comum dos chamados "Bogle Heads", da maneira como geralmente alocam seus investimentos. Há quem inclua um ETF ou Mutual Fund de REITs também entre os "Bogle Heads", mas já seria então uma pizza de 4 partes:

  

16 comentários:

  1. Muito bom mas só um detalhe, estrangeiros são proibidos por lei de comprar mutual funds nos EUA. Só etfs.

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  2. Obrigado! Não sabia, mas lembremos que tem brasileiros com cidadania americana... E se o cara tiver uma empresa LLC pode investir nos EUA, mesmo sendo alien?

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    1. Sim, nestes raros casos sim. Até com Green Card, sem cidadania pode pois é residencia permanente. Abcs

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  3. Diversificação é uma dádiva mesmo. Ano passado iniciei meus aportes no EUA 5% do meu portfólio atual, atualmente estou preparando um novo aporte no exterior, mas também receoso com topo histórico em NY, vamos ver no que dá. rs.
    Abraço do Muk, pq abraço é bom e é degraça.

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  4. Que excelente post HM.

    Fiquei contente que acompanha o Ulrich, dá uma olhada no Rychard Rytenband e o Luiz Roxo vai gostar da abordagem antifragil deles.

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  5. Curioso ler essas coisas de pessoas que, como você, sabem muito mais do q eu de finanças. Até comentei isso no post do amigo "Vagabundo", aqui da blogosfera: ultimamente só tenho aportadado em ETFs, principalmente PIBB11, BOVA11 e IVBB11, reconhecendo de vez minha incompetência de bater o mercado com stock picking.

    Muito se lê, por exemplo, que "BOVA11 só tem lixo na sua composição". Mas sinceramente quantos investidores você conhece que está batendo pelo menos o BOVA11? Provavelmente não muitos. A única coisa que me incomoda - e por puro capricho - é que, de fato, a ausência de dividendos pingando na conta na hora de usufruir o patrimÇonio no futuro será uma coisa que psicologicamente poderá incomodar. Paciência

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    1. TumTum, por isso tenho FII para ter fluxo de caixa, fora o enorme benefício da isenção de IR. Divida em ações, RF, FII e IVVB11, já é uma boa diversificação.
      Tenho um amigo 100% em FII, disse que já está assim há 10 anos e feliz. Pelos números que me mostrou, não posso discordar do cara. Mas minha carteira está me dando o que eu quero (busco bater a RF, de preferência 1% a mês), por isso sigo minha estratégia enquanto funcionar.

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    2. HM,
      Tenho feito isso.
      Continuo investindo em FIIs (onde, modéstia a parte, entendo bem) e agora em ETFs. Ainda tenho as ações pois não estou em prejuízo, apesar de estar andando de lado. Acredito que apenas não vou aportar por algum tempo.

      Gostei do seu comentário abaixo: "aula é sempre de graça e a surra é inesquecível, com o dinheiro da gente." Dizem que quem é sábio aprende com o erro dos outros, mas não se se isso se aplica à bolsa não - parece que enquanto o indivíduo não dá uma "dor de barriga" vendo os investimentos a pó ele não aprende...kkkk
      Abs

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    3. TumTum, acredite em mim: ver minha carteira derreter 40%, 45% anos atrás... foi foda. É um mal estar indescritível, dor de barriga seguida da famosa "caganeira" (kkkkk...) é o mínimo. Bateu insônia, medo, desespero. Realizei prejuízo e hoje está evidente que estaria num belo lucro se tivesse ficado quieto, pois não comprei empresas falidas e que estavam longe disso.

      Recentemente passei por isso com MFII11, caiu de uns 120 para 60 reais em poucos dias, depois de uma notícia que saiu no mercado. O que eu fiz? NADA. Já tinha uma boa quantidade do ativo, poderia ter comprado mais com desconto, mas preferi ficar quieto. Ontem bateu creio que 116,00 reais e me pagou dividendos todos os meses, acima de 1%.

      O maior inimigo do investidor pessoa física é ele mesmo. O psicológico é tudo - claro, seguido de estudo e compra de bons ativos. Não adianta ser "forte psicologicamente" especulando com micos e comprando tranqueira. É o mesmo que comparar malabarismo com facas (tem um grau de risco) e com fracos de vidro contendo Césio-137 (que tal este risco?). Se cair a faca ou ela cortar sua mão, você sobreviverá... E o Césio-137? Vai encarar malabarismo com isso?

      Mercado sempre vai oscilar, para cima ou para baixo. Uma hora, é um foguete... Na outra, é uma pedra redonda gigante rolando, morro abaixo e algumas vezes está de lado. O importante é ter paciência, disciplina, método, economizar, escolher bons ativos e estar preparado para as quedas que sempre virão. Enriquecer, apara a imensa maioria dos mortais sempre será um processo lento, progressivo e recompensador. Exceto que inventem uma patente, criem um produto com escalabilidade de venda mundial (via internet) ou herdem fortuna, a regra para quem quer alcançar a IF é aportes (os maiores possíveis) + tempo + juros compostos + paciência + diversificação + escolha dos ativos. Como sempre digo, esta é a minha opinião e cada um tem seu ponto de vista. Repito apenas o que estudei, vi, passei e posso dividir.

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  6. Olá, compartilho da mesma apreensão quanto as altas continuas, a meses observo o gráfico do ouro e do dolar/real, apesar da euforia que vejo em alguns canais de comunicação em relação ao futuro dos investimentos no Brasil, a sinalização bullish destes dois ativos me deixam com a pulga atrás da orelha em relação ao mercado. O ouro inclusive está rompendo e confirmando o pivot em todos os gráficos, abrindo uma excelente simetria para os próximos 200-300 dias e podendo anunciar o começo da sangria no mercado americano. Em relação ao Brasil, tenho a suposição que a reforma da previdência será o famoso sobe no boato e cai no fato, engraçado que analisando a simetria, o cup and handle do dólar se confirmaria em meados de setembro, colocando a reforma sendo aprovada na câmara no final de julho e no senado na terceira semana de agosto a melodia do tempo se encaixa. Enfim, suposições de um investidor metido a clairvoyant, mas que observa quando o mar recua para a tsunami atacar. Se acontecer, é bom estar preparado por isso importante diversificar e se manter longe da boiada.

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    1. Também tenho medo do "sobe no boato e realiza no fato", mas assim é o mercado e sempre será.

      "Enfim, suposições de um investidor metido a clairvoyant, mas que observa quando o mar recua para a tsunami atacar. Se acontecer, é bom estar preparado por isso importante diversificar e se manter longe da boiada"- BINGO! Compartilho exatamente o seu mesmo feeling.

      Estou na bolsa desde o final de 2006, são 13 anos. Já vi PETR4 depois do anúncio de Tupi subir 30% em poucos dias, vi ELPL4 vir de mais de 40 para menos de 10 reais e ficar no oco por 3 anos. Já vi circuit break seguidos no IBOV e meu patrimônio virando pó e eu sem ter pra onde correr. Aprendi com o Professor "Ferro", aula é sempre de graça e a surra é inesquecível, com o dinheiro da gente.

      O mais difícil para muita gente entender é óbvio, mas muitos ficam cegos com alta seguida de alta:

      - Tudo que sobe, uma hora corrige e cai. Pode ter mais altas que quedas no longo prazo, mas ninguém tem como calcular a duração exata de uma perna de alta ou de baixa. Seriam 6 anos? Talvez 10? Quem olha os gráficos de várias bolsas pelo mundo sabe que existem períodos para todos os gostos. Quero ver a turma da alegria suportar 3, 4 ou 5 anos de queda na bolsa. Bate o desespero e muitos vendem perdendo muito dinheiro (eu sei, pois EU fiz isso!).

      - Existem os ciclos da economia e eles se repetem. Temos que saber identificar isso e tomar medidas para proteger ou minimizar as perdas em nossas carteiras. E, claro, aproveitar os bons ativos que estejam em promoção para comprar de balde.

      - Tenham sempre de 25 a 50% (Graham falava em até 75%) em RF para diminuir a volatilidade da carteira e poder alocar em bons ativos nas quedas. Acreditem, uma hora o mar recua e o Tsunami engole (gostei do seu trocadilho).

      - Vender na alta e comprar na baixa: maioria faz o contrário, compra topo e vende no oco. Agora é TOPO. O "pico"pode ser mais alto? Sim! Mas, usando do bom senso, vejo que a tendência de cair é maior que a de seguir subindo. Tudo bem que o IBOV está barato diante da bolsa americana, falam em IBOV em breve nos 150 mil pontos. Veremos.

      - Finalizando: pode cair ou subir, o importante é saber quem vai estar psicologicamente preparado para uma queda forte, quando vier.

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  7. De qualquer modo, todos os fundos citados no exemplo tem correspondentes em ETF's, na própria vanguard.

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  8. Vi isso depois que você avisou, muito obrigado!

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