domingo, 27 de fevereiro de 2011

O que é melhor: receber dividendos ou juros da renda fixa?

 Muitos dos que investem em ações de bons dividendos e mesmo os que não o fazem, perguntam-se se investir na Renda Fixa não seria um caminho mais rentável do que nas ações de empresas que pagam bons dividendos. O colega Fábio Portela, do Blog "O pequeno investidor", publicou em 02 de Junho de 2010 um excelente artigo sobre este assunto.







Receber dividendos ou juros da renda fixa?


(clique no link acima para ir ao Blog "O pequeno investidor")






 "Em tempos de crise, muitos analistas financeiros indicam ações que pagam bons dividendos como um porto seguro, porque garante a remuneração do acionista mesmo com a queda das cotações. Outras pessoas, mais conservadoras, preferem investir na renda fixa para obter o pagamento dos juros. Mas qual dos dois é melhor para o investidor?

 Boa parte das pessoas, para responder essa pergunta, compara o dividend yield das ações com os juros pagos pela renda fixa. Por exemplo, se a renda fixa estiver pagando 10% de juros e a empresa paga 7% de dividendos, seria preferível investir na renda fixa.

 Mas as coisas não são simples assim. O dividend yield (DY) é apenas um dos indicadores a serem observados para prever a rentabilidade final dos dividendos em um período de tempo. O DY diz apenas o percentual da cotação da ação que a empresa devolveu em dividendos para o investidor em determinado ano. Por exemplo, se a cotação for de R$ 10,00 e a empresa pagar R$ 1,00 de dividendos por ação, o DY é de 10%. Todavia, esse é apenas o início da conversa. Ao longo do tempo, boas empresas aumentam o valor pago em dividendos como uma conseqüência do crescimento de seus lucros. Mais lucros, mais dividendos. A conseqüência direta disso é que o lucro por ação (LPA) da empresa aumenta, mas como os dividendos também aumentam, o DY pode ficar permanente.

 Imagine uma empresa que tenha um LPA de R$ 1,00 e pague R$ 0,30 de dividendos, com uma cotação de R$ 10,00. O DY dessa empresa é de 3%. Se o LPA aumentar para R$ 2,00, ela passar a pagar R$ 0,60 centavos por ação em dividendos, e sua cotação passar para R$ 20,00, o DY permaneceu em 3%, mas ela DOBROU o montante que paga de dividendos.

 E a renda fixa, como funciona? Se você investir em um fundo de renda fixa que pague 10% ao ano e reinvista os juros pagos, garantindo a acumulação de juros compostos, você terá uma rentabilidade anual de 10%, mas sem a aceleração dos ganhos que o aumento dos lucros da empresa proporciona à rentabilidade dos dividendos. Vejamos como isso acontece: suponha que um investidor aplique R$ 10.000,00 por 30 anos na renda fixa, com uma taxa de retorno de 10%. A evolução de seu investimento seria a seguinte:




 Como se pode observar na tabela, em 35 anos os R$ 10.000,00, a uma taxa de juros compostos de 10% ao ano, se tornariam R$ 255.476,70. Desconsidero a inflação porque o propósito do exemplo é meramente elucidar as diferenças entre a renda fixa e os dividendos. Mas o leitor pode observar que, no último ano, só de juros, ele receberia R$ 25.547,67. Muito bom, não é?





 Mas vamos ver o que aconteceria se o mesmo capital tivesse sido aplicado em uma ação que paga 50% de seus lucros para os investidores na forma de dividendos e tem uma taxa de crescimento do seu lucro de 10% ao ano: ou seja, a cada ano, seu lucro, em média, é 10% superior ao do ano anterior. São suposições bastante factíveis, e há várias empresas no mercado que satisfazem esses requisitos. Suponhamos, ainda, que a cotação da ação é 10 vezes superior ao lucro por ação da empresa (P/L = 10), para facilitar os cálculos. Como ocorreria a evolução patrimonial? Vejamos na tabela a seguir:




























 Como o leitor pode observar, há duas colunas que dizem respeito à evolução patrimonial: a primeira coluna (Capital) leva em consideração apenas a rentabilidade que o investidor teve com o pagamento dos dividendos. Se ele deixasse os R$ 10.000,00 investidos e apenas recolhesse os dividendos, ele teria acumulado em 35 anos R$ 439.712,26, bastante superior aos R$ 255.476,00 da renda fixa. E isso com um DY bastante baixo, de 4,76%! Isso aconteceu porque a empresa  produz, a cada ano, 10% a mais de lucro do que no ano anterior. Isso, ao longo dos anos, a transforma numa máquina de dinheiro!

 Se o investidor reaplicasse o dinheiro dos dividendos na compra de ações da companhia, a situação seria ainda melhor. Com os R$ 10.000,00, ele compraria 1000 ações da empresa a R$ 10,00 cada, com um lucro por ação de R$ 1,00. No primeiro ano, ele receberia 50 centavos por ação em dividendos (R$ 500,00 no total) e compraria mais 50 ações da empresa. Repetindo esse procedimento ao longo de 35 anos, e considerando que as ações são sempre cotadas na média de 10 vezes o lucro produzido por ação, no final do período ele teria acumulado 5.253 ações, que valeriam, cada, R$ 255,48. E seu patrimônio total seria de pouco mais de R$ 1.400.000,00, que renderiam em dividendos mais de R$ 65.000,00 naquele ano. Muito melhor, não é?"


 Caro Fábio Portela: seu artigo é de extrema importância, e acredito não existir mais dúvidas sobre o assunto a partir de agora. O que não pode passar despercebido é que é fundamental reinvestir todos os proventos (dividendos e juros sobre capital próprio) para que assim a milagrosa máquina dos juros compostos trabalhe a nosso favor. E a todos investidores em "valor", boa caça as empresas de bons dividendos!



"The Hunter"

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