quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Aposentar-se investindo em ações: entenda como

Texto retirado do antigo site INI:

 Nos cursos ministrados pelo INI nos últimos anos, observa-se algumas dúvidas quanto ao que seria “aposentar-se com patrimônio em ações”. Como o número de pessoas nesta situação é pequeno e poucos
vêem o mercado de ações como forma de poupança, o INI oferece duas visões a respeito desse tema e ainda uma ferramenta para você programar sua aposentadoria em ações.
Para fazer download digite: www.ini.org.br/ini/aposentadoria.xls


TIPO A: Aposentando-se com base nos dividendos pagos.

 Esse tipo é o que mais causa controvérsia, pois normalmente o dividend yield (retorno com dividendos) é algo entre 2% e 4% ao ano e, no Brasil, encontra-se facilmente investimentos de renda fixa com rentabilidade entre 7% e 9%. As pessoas costumam dizer que não é vantagem, então, buscar a aposentadoria em ações. O que não se leva em consideração é que o ganho de capital, ou seja, o crescimento no valor das cotações ajuda a evoluir o patrimônio durante o processo de poupança e, ainda,continua após o investidor começar a gastar os dividendos. Vamos ver na prática:

 Vamos considerar duas premissas básicas, que podem ser mudadas pelo leitor na planilha oferecida em anexo.

- Ganho de capital médio: 15% ao ano
- Dividend yield médio (ganho com dividendos): 3% ao ano
- Investimento mensal de R$ 350,00

Anos Complemento Patrimônio Anos Complemento Patrimônio
1 R$ 11,34 R$ 4.536,15 19 R$ 1.399,56 R$ 559.822,27
2 R$ 24,72 R$ 9.888,81 20 R$ 1.662,82 R$ 665.126,43
3 R$ 40,51 R$ 16.204,94 21 R$ 1.973,46 R$ 789.385,34
4 R$ 59,14 R$ 23.657,98 22 R$ 2.340,03 R$ 936.010,85
5 R$ 81,13 R$ 32.452,57 23 R$ 2.772,57 R$ 1.109.028,95
6 R$ 107,08 R$ 42.830,18 24 R$ 3.282,98 R$ 1.313.190,31
7 R$ 137,69 R$ 55.075,76 25 R$ 3.885,25 R$ 1.554.100,72
8 R$ 173,81 R$ 69.525,55 26 R$ 4.595,94 R$ 1.838.375,00
9 R$ 216,44 R$ 86.576,30 27 R$ 5.434,55 R$ 2.173.818,65
10 R$ 266,74 R$ 106.696,18 28 R$ 6.424,11 R$ 2.569.642,15
11 R$ 326,09 R$ 130.437,64 29 R$ 7.591,78 R$ 3.036.713,89
12 R$ 396,13 R$ 158.452,57 30 R$ 8.969,65 R$ 3.587.858,54
13 R$ 478,78 R$ 191.510,18 31 R$ 10.595,52 R$ 4.238.209,23
14 R$ 576,30 R$ 230.518,16 32 R$ 12.514,06 R$ 5.005.623,04
15 R$ 691,37 R$ 276.547,58 33 R$ 14.777,93 R$ 5.911.171,34
16 R$ 827,16 R$ 330.862,29 34 R$ 17.449,30 R$ 6.979.718,33
17 R$ 987,38 R$ 394.953,65 35 R$ 20.601,51 R$ 8.240.603,78
18 R$1.176,45 R$ 470.581,46 


A lógica da planilha anterior é a seguinte:

- Se você parasse de investir os R$ 350,00 no ano 17, contaria com um complemento de aposentadoria de R$ 987,38 ao mês. É importante notar que esse complemento vem dos dividendos, portanto, se os lucros aumentarem, o complemento também aumenta. Esta é a grande diferença de aposentar-se com dividendos. Caso o lucro das empresa cresça 20%, seu complemento deve crescer também nessa ordem.
- Outro forma de pensar seria: Preciso de R$ 5.000 para viver, logo para me aposentar exclusivamente de dividendos devo parar entre o ano 26 e o ano 27.



TIPO B: Aposentando-se com base na venda de ações.

 Neste tipo, o investidor define um ponto em que vai gastar os dividendos e mais um pouco do patrimônio acumulado.

Vejamos as premissas:

- Ganho de capital médio: 15% ao ano
- Dividend yield médio (ganho com dividendos): 3% ao ano
- Investimento mensal de R$ 1.000,00
- Tempo de contribuição: 20 anos

Anos aposentado Complemento Anos aposentado Complemento
10 R$ 18.314,54 26 R$ 8.739,06
11 R$ 16.884,59 27 R$ 8.524,39
12 R$ 15.694,87 28 R$ 8.325,83
13 R$ 14.689,93 29 R$ 8.141,71
14 R$ 13.830,19 30 R$ 7.970,57
15 R$ 13.086,58 31 R$ 7.811,17
16 R$ 12.437,35 32 R$ 7.662,40
17 R$ 11.865,82 33 R$ 7.523,28
18 R$ 11.359,05 34 R$ 7.392,96
19 R$ 10.906,80 35 R$ 7.270,68
20 R$ 10.500,89 36 R$ 7.155,78
21 R$ 10.134,71 37 R$ 7.047,64
22 R$ 9.802,82 38 R$ 6.945,74
23 R$ 9.500,76 39 R$ 6.849,58
24 R$ 9.224,79 40 R$ 6.758,74
25 R$ 8.971,77


O significado da planilha acima indica o seguinte:

- Uma pessoa que contribui por 20 anos, com R$ 1.000 ao mês, ao se aposentar poderia viver mais 40 anos com um complemento de aposentadoria de R$ 6.758, ou 25 anos com quase R$ 9.000 de complemento.

 É evidente que cada um tem suas necessidades, portanto oferecemos um download da planilha acima para que o leitor possa colocar suas características e calcular seus próprios resultados.

 Quanto à inflação, se o leitor quiser “esquecê-la” na conta, pode pensar que os aportes vão crescer ano a ano de acordo com a taxa de inflação. É uma forma de garantir que os valores acima fiquem muito próximos ao poder de compra de hoje. Para uma inflação de 4%, o aporte começaria em R$ 1.000, no ano seguinte R$ 1.040 e assim sucessivamente. Fazendo isso reduz-se o impacto da inflação nas parcelas acima.

 "Dá para viver de renda no futuro recebendo parte do lucro que cabe aos acionistas de empresas presentes na Bolsa de Valores.

 O engenheiro Vilibaldo Maier, de 68 anos, trabalhou na Petrobras durante décadas e ali se aposentou. Como a maioria dos colegas, levava um padrão de vida de classe média que o salário lhe permitia. Mas, como muitos brasileiros,sempre acalentou o sonho de um dia ficar rico e viver de renda. Um dia, na década de 1970, ele foi convidado a ingressar no Petros, o fundo de previdência da estatal."Ficava pensando como era possível depositar 100 reais e no futuro a empresa me pagar 1 000 reais", diz."Aí, eu me questionei: se a Petros vai investir meu dinheiro, porque eu mesmo não posso fazê-lo?" Então, virou investidor. Em setembro de 1971, quanto tinha apenas 33 anos, comprou seu primeiro lote de ações. Durante 30 anos, ele reservou o equivalente a 1 000 reais para investir todo mês. Assim, de assalariado o engenheiro virou milionário. 

 O hoje sossegado investidor narra sua trajetória com orgulho. Vilibaldo leva uma vida tranqüila numa cidade da Serra Gaúcha. Ele gosta de fazer caminhadas no parque, não ostenta sua riqueza e quem o vê dirigindo um carro popular duvida que tenha alcançado a independência financeira. Seu maior prazer é viajar pelo mundo. Vai para o exterior todo ano.Paga as viagens com uma pequena parte da renda de dividendos de sua carteira de ações. Como virou acionista de boas companhias de capital aberto, tem direito a receber em forma de dividendos ou de juros sobre o capital próprio parte do lucro das empresas. Só no ano passado, os dividendos representaram um ganho em torno de 1 milhão de reais. 

 Mágica, sorte, coisa de especialista? Nada disso. O que aconteceu ao engenheiro pode se repetir na vida de qualquer pessoa com o mínimo de disciplina financeira. Para isso, é necessário evitar a tentação de comprar ações, esperar sua valorização e vendê-las com lucro para usar o dinheiro como complemento do salário. "Nos primeiros seis anos de aplicação na bolsa não tive ganhos significativos", conta o ex-funcionário público." Mas como reinvestia todo o dinheiro dos dividendos, fui formando meu patrimônio. "No início, o engenheiro até fez pequenos saques da renda gerada pelos dividendos, mas logo percebeu que esse dinheirinho extra não faria grande diferença na sua remuneração mensal, ao contrário do que ocorria se o reinvestisse sistematicamente. Ele agüentou firme todos os altos e baixos da bolsa nos últimos 30 anos. Esse foco no longo prazo fez toda diferença. Quem em época de pessimismo do mercado vende suas ações assume um prejuízo que poderia ser revertido em lucro à medida que a bolsa se recupera nos anos seguintes. Quem também só enxerga oportunidades na bolsa quando o mercado está otimista tende a esperar grandes lucros em curto prazo, e isso é muito difícil de acontecer. 

 O ideal é maximizar seus ganhos com a reaplicação de todo o lucro obtido com sua carteira de ações. O que inclui a própria valorização do preço de cada ação e a renda com os dividendos. Não é difícil demonstrar como o reinvestimento ajuda você a ganhar mais. "Quem tem 100 000 reais numa carteira de ações que paga média de 5% de dividendos anuais, recebe no primeiro ano 5 000 reais e reinveste no ano seguinte receberá dividendos maiores porque o total investido aumentou", diz Théo Rodrigues, diretor-geral do Instituto Nacional dos Investidores (INI). 

 Esta estratégia é comum nos Estados Unidos. Você já deve ter ouvido falar das Beardstown Ladies — senhoras entre 50 e 85 anos que montaram um clube de investimentos e ficaram ricas. Elas vivem da renda de dividendos milionários. Aqui no Brasil, algumas empresas da bolsa criaram programas para que a operação já seja feita automaticamente, como Vale do Rio Doce, Itaú e Bradesco. Comprar ações dessas empresas e autorizar o reinvestimento automático é uma boa solução para investidores indisciplinados ou inexperientes. Converse com sua corretora de valores e procure o departamento de relação com investidor (RI) da empresa para adotar essa estratégia. Você também pode dar preferência em sua aplicação na bolsa a empresas que tradicionalmente pagam bons dividendos. Aqui vale lembrar que, em geral, uma empresa em crescimento não distribuirá mais do que a metade de seus lucros, já que ela precisa reinvestir no próprio crescimento. Uma boa relação de ganho com dividendo situa-se entre 3% e 6% do valor da ação. 

 Um estudo da Economática, empresa de dados financeiros, baseada em São Paulo, mostra que há uma variedade de setores para você escolher empresas que fazem grandes distribuições de lucro entre os acionistas. Entre as ações mais negociadas na Bovespa, 25 se destacam numa análise anual a partir de 1997. Quem encabeça o ranking são as ações da Cemig, estatal de energia de Minas Gerais (leia mais sobre a Cemig nesta edição, na coluna Você em Ação). Os bancos do Brasil, Bradesco e Itaú também estão no topo da lista. Na indústria o destaque é para a Arcelor Brasil e a Companhia Siderúrgica Nacional. 

 Quando decidiu entrar na Bovespa, o paulista Marcelo Graça, de 30 anos, já buscou empresas que pagam bons dividendos. Há 18 meses, ele transferiu 20 000 reais que tinha aplicado em um fundo de renda fixa e comprou ações. "Quero viver de renda a partir dos 50 anos", diz ele. Sua aplicação mensal varia entre 500 e 1 000 reais. Será que Marcelo vai repetir o sucesso do ex-funcionário da Petrobras? É cedo para cravar essa afirmação. Ele vai precisar resistir às quedas da bolsa, ter disciplina para continuar investindo e reinvestindo todo mês, manter-se focado no longo prazo e só virar sócio de boas empresas — que têm governança corporativa, ou seja, administradores de boa reputação e estejam em crescimento. Em 18 meses de Bolsa de Valores, Marcelo demonstrou que está firme no propósito de viver de renda no futuro. Seus 20 000 reais iniciais já se transformaram em 60 000 reais no último um ano e meio. Nesse período, ele teve direito a receber 2 000 reais de dividendos. "Esse dinheiro foi reinvestido", diz. Deste jeito, Marcelo poderá ser mais um brasileiro assalariado que realizará o sonho de, no futuro, viver de renda, trabalhando apenas por prazer ou, simplesmente, curtindo a vida de milionário. 







"Who wants to be a millionaire???"




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